A Coluna Partida.
Há pouco tempo estive na exposição do Centro Cultural de Belém para ver uma exposição com cerca de 1/3 dos quadros que pintou ao longo da sua vida. Para além do que já conhecia dela, por ter visto o filme numa brilhante interpretação de Salma Hayek, fiquei fascinado com a alegoria e a simbologia com que nos brindou em cada quadro. Na retina ficou este, talvez o mais conhecido, mas por isso mesmo, no meu ponto de vista o mais brilhante. Neste quadro, conseguimos distinguir a dor num rosto sereno, onde correm lágrimas, mas um rosto conformado com a sua condição. A coluna de estilo jónico, rachada e partida em várias partes, representa a sua própria condição, cuja coluna ficou desfeita após o acidente de autocarro que a infligiu, quando estava na adolescência. Os pregos espalhados pelo corpo simbolizam a dor, uma dor constante e eterna que a viria a perseguir até ao dia em que nos deixou. Por trás, têmos o horizonte, e nesse horizonte, não há nada, a terra é seca. Como sempre (ou practicamente) representa-se nua ou neste caso semi-nua (talvez por sentir-se só), e com as suas sobrancelhas unidas.
Não sabia que Frida também escrevia, tinha um diário e nele escreveu poemas, histórias, cantigas. Foi um génio artístico com um sentido de humor fenomenal, mesmo em relação a si, à sua condição, ou a vida que teve/tinha. Dela saiu também isto:
"I paint self-portraits because I am so often alone, because I am the person I know best."
Pinto auto-retratos, porque estou muitas vezes só. porque sou a pessoa que conheço melhor.