30 de Março de 2010

Já não fumava há 1 e 5 meses quando na quarta-feira fumei dois cigarros e não quis parar desde então. Sinto a necessidade de escrever para apaziguar o meu sentimento de culpa e explicar a minha relação com o Tabaco.

 

Para melhor se entender em venho de uma família onde tanto o meu Pai como a minha Mãe fumavam. O meu Pai fumava bastante menos que a minha Mãe, tendo estado cerca de 8 anos sem fumar desde o nascimento do meu irmão até eu ter mais ou menos 19 anos. A minha mãe não… sempre fumou 1 maço por dia. Inclusivamente “usou-me” durante anos para lhe comprar tabaco e eu obstinadamente só fumei em condições no ano de 1998. Estava no verão, no Algarve com os meus melhores amigos. Nenhum de nós fumava regularmente. Mas compramos para as férias um volume de Marlboro e tabaco de enrolar Águia. De 5 que éramos, só 1 é que não voltou a fumar, os outros são todos viciados em tabaco.

 

Eu fumei regularmente até em 2006. Nesse ano, num novo emprego, estável e onde ganhava o dobro do meu anterior trabalho resolvi que era altura para deixar de fumar e numa tarde a 11 de Novembro, deixei de fumar. O meu maço de tabaco tinha um cigarro e aí ficou durante 6 meses. Andei com esse maço todos os dias, olhando para ele quando me apetecia fumar. Aquilo deu-me a sensação de escolha. Sempre que queria fumar, olhava e decidia se valeria a pena o esforço. Durou 9 meses. Mais uma vez em férias, desta vez com a minha namorada (agora Wifey) e achando que tinha o vicio completamente controlado, compramos um SG Mentol, para experimentar algo novo e divertido, nessas férias. Primeiro fumava ao fim de semana, depois só à noite e por fim voltei a fumar o meu maço por dia. Às vezes mais. Tudo no espaço de 1 mês. Na verdade e embora pareça desculpa, nessa altura fui promovido. Deixei uma zona confortável na empresa e passei a ter mais responsabilidades. De duas marcas que trabalhava, passei a trabalhar 8. Uma delas não me deixava respirar e para meu descontentamento, não recebia mais por isso.

 

Fumei continuamente até 2008. A 9 de Outubro, achei que era altura para voltar a deixar de fumar. Desta vez a táctica do cigarro dentro do maço não resultou e tive mesmo de cortar todos os laços com o tabaco. Fi-lo porque estava a começar a andar num ginásio e não me sentia bem a correr, fi-lo porque a minha Wifey (na altura ainda namorada) é alérgica ao fumo e porque eu ressonava imenso, por causa disso. Estive 1 ano e 5 meses sem fumar. Passei por um casamento, pelo desemprego e não voltei a fumar. Mas nunca, nunca deixei de querer fumar. Todos os dias me apetecia um cigarro. Todos os dias, quando os meus colegas iam fumar, eu queria ir também. Todos os dias.

 

Se da primeira vez foi derivado (sobretudo) ao stress do trabalho, desta vez aponto o dedo a duas situações: a vida de casado e a mim. Eu nunca quis na realidade deixar de fumar. O fumo, deixa-me calmo (até tenho a tensão mais baixa e tudo), o fumo dá-me paz. Agora não me entendam mal! Eu adoro estar casado. Adoro a minha mulher, mas uma coisa é viver sozinho outra é partilhar e pior, viver as dores do outro como se fossem nossas. Tudo mexeu comigo e resisti, resisti, até que na ultima quarta-feira não aguentei mais.

 

Suponho que seria uma questão de tempo. O stress misturado com a minha vontade, foram os ingredientes letais e voltei a fumar. Estou com uma média de 5/ 6 cigarros por dia. Vou controlar-me para não fumar mais que isso e quando tudo estiver melhor, quando a minha mais que tudo conseguir estiver bem, também eu vou o estar e porque a amo, vou deixar novamente o tabaco. Quem sabe para sempre. Agora? Não consigo e não quero.

publicado por Ricardo Fernandes às 13:08 link do post
Sempre tive uma relação de ódio ao tabaco; na minha família ninguém fuma, eu nunca fumei, não consigo estar em locais fechados com gente a fumar sem ficar com tosse e com os olhos a arder e fiquei com pena da lei do tabaco aprovada em POrtugal ser tão permissiva. Talvez por isso, não consiga compreender porque fumam as pessoas, porque se sujeitam voluntáriamente a algo que faz tão mal.

Mas gostei do teu texto porque ilustra bem como os vícios são: deixar um vício - seja ele qual for - só depende de nós. O problema é não estarmos preparados para o fazer. Tu é o tabaco, eu é o chocolate. :s

PS - Coincidência ou não, uma prof minha da faculdade disse que não deixava de fumar porque isso a ajudava a não comer chocolate. "Prefiro dar cabo dos pulmões a ser gorda", disse-me ela. Prioridades...
syrin a 30 de Março de 2010 às 14:04
Eu sei o mal que faz... E sei como me sentia sem fumar. Odeio o cheiro com que fico nas mãos e na cara... na roupa. Mas nesta altura do campeonato, com discussões e tudo o que daí advinha, mais vale nesta altura... dar cabo dos pulmões.
E o único que não voltou a fumar depois daquelas míticas férias no Verão de 1998, sou eu. Conheço o Ricardo desde que me lembro de existir, já passámos por muitas coisas, e o início do seu vício no tabaco é mais uma delas. Concordo?. Não. Aceito?. Claro. Vou continuar a chatear-te para deixares de fumar?. Sempre!. É o meu dever de amigo, é para te irritar, mas acima de tudo porque já senti na pele, ou nos pulmões, as dor e a sensação horrível de não ter ar nos pulmões provocadas por uma inesperada bronquite asmática aos 15 anos. Já lá vai, mas a custo de muita natação e medicação certa, sem interrupções.

Mas percebo-te com clareza, conheço o prazer que um fumador tem quando se faz acompanhar do seu cigarro, mesmo sabendo todas essas contrariedades por ele provocadas, que já mencionaste. Desconheço o verdadeiro sentido da sua companhia confesso, porque, apesar de ter fumado, nunca me viciei, mas sei que isso representa, para quem fuma, uma forma de descomprimir, relaxar, se se pode dizer, de sair por um momento desta realidade e voltar, sabendo que apesar de nunca ter saído, aquele cigarro fez maravilhas.

Mas eu sei que tu consegues deixar de fumar, já o mostras-te várias vezes, por isso fuma à vontade meu amigo, fuma quantos quiseres, se isso te faz sentir melhor, e nas pausas do cigarro se quiseres beber uma bock , aí eu acompanho com todo o prazer!

Abraço miúdo
José Carlos a 30 de Março de 2010 às 20:08
boas,ric
Assiduo "cliente"deste estaminé,deparei-me com esta historia sobre o vicio do tabaco...falaste no verão de 98,eu já n me lembro se foi nesse ano que eu fui pela 1vez po algarve po parque de campismo,onde fomos os tres estarolas para uma tenda de 2 pessoas...lol...
se sim devo resaltar que afinal n foi so um que n voltou a fumar,mas sim 2...
se n esquece o que foi dito aqui e continua o bom trabalho neste blog...

Um abraço
jf
j.fonseca a 23 de Abril de 2010 às 00:35
Sim Jorge! Eras tu também. Como não temos tido contacto, até poderias estar a fumar... quem sabe? Um abraço!
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